Londres é uma cidade de extremos. De pompa e circunstância, sim, mas também de subversão e contracultura.

Para a coleção de primavera/verão 2027 da McQueen, o primeiro desfile oficial da marca no calendário da London Fashion Week desde 2001, o designer Seán McGirr inspirou-se em ambos os lados da cidade, indo desde a alfaiataria impecável até o visual descontraído de pista de dança.

Apresentada no interior da Undercroft, na Capela de Lincoln's Inn — uma estrutura cavernosa do século XV com piso de pedra e lápides visíveis —, diante de convidados como Lola Tung, Emma Corrin, Alexa Chung e Florence Welch, a coleção capturou a energia irrequieta da cidade ao seu redor.

"Londres sempre me estimula", disse McGirr após o desfile. "Há uma atitude, há uma ludicidade. As pessoas misturam as coisas de um jeito 'errado'. Eu amo esse erro."

Essa tensão manifestou-se em roupas de noite imaginadas para uma rave no sul de Londres, e não para uma gala. Um vestido branco em seda de alto brilho foi recortado com um detalhe afiado que deixava o corpo à mostra, enquanto o visual com espartilho usado por Paloma Elsesser exibia uma saia translúcida que pedia para ser dançada.

Os detalhes remetem tanto à própria cidade quanto à herança rebelde da marca. Os modelos usavam o cabelo gelado em formato de chifres estilo moicano, e os sapatos de salto traziam saltos recortados que lembravam a bolsa "Armor" da marca, lançada em meados dos anos 2000.

Eram sapatos, destacou McGirr, que pertenciam à Cyberdog, a loja cult de música e cibercultura localizada no Stables Market, em Camden.

A alfaiataria era igualmente teatral: ternos estruturados e severos estendiam-se em caudas com asas de anjo, transformando a vestimenta em algo quase sobrenatural.

Três dos ternos foram desenhados em parceria com a Huntsman, alfaiataria de Savile Row que colaborou com a marca em 2002 e 2012.

Uma influência mais silenciosa veio de "O Batismo de Cristo", de Piero della Francesca, pintura que McGirr descobriu na National Gallery após mudar-se para Londres e que representa "transcendência e serenidade", segundo o designer.

McGirr tem um dos trabalhos mais difíceis da moda. Ele cria para uma casa cujo fundador não era apenas imensamente talentoso, mas também imensamente querido, e cujo trabalho foi incessantemente elogiado e mitificado.

Esta coleção sugeriu que McGirr está começando a encontrar um caminho adiante — por meio dos códigos da casa, em vez de simplesmente olhar para trás em sua história.