PARIS -- O presidente francês Emmanuel Macron e o primeiro-ministro canadense Mark Carney devem se encontrar no domingo para aprofundar os laços econômicos e de segurança no remoto arquipélago de Saint-Pierre-et-Miquelon, no Atlântico Norte.

A reunião ocorre dias depois de Carney abraçar a perspectiva de o Canadá se tornar o primeiro membro associado da União Europeia, dizendo que laços mais estreitos com o continente garantiriam que nenhum país pudesse controlar os mercados do Canadá ou minar sua soberania.

As tarifas do presidente dos EUA, Donald Trump, as exigências de concessões econômicas e a conversa repetida sobre tornar o Canadá o 51º estado empurraram Ottawa para reduzir sua dependência de seu vizinho e buscar relações econômicas, de segurança e políticas mais profundas com a Europa.

"Este é um momento importante", disse Macron ao chegar no sábado ao território francês na costa da Terra Nova, Canadá. Saint-Pierre-et-Miquelon abriga cerca de 5.800 pessoas.

As conversas "nos permitirão... fortalecer nossos laços econômicos bilaterais e a relação de defesa", disse Macron.

Macron também disse que as conversas de domingo fazem parte de esforços mais amplos para ajudar a assegurar o suprimento de petróleo e gás para a França, à medida que a guerra com o Irã perturba os mercados globais de energia e aumenta os temores de preços mais altos para combustíveis e outros itens essenciais.

"O Canadá é um país com recursos significativos de minerais críticos e terras raras. É também um importante produtor de petróleo e gás natural", observou Macron.

"O que queremos fazer é concluir acordos para garantir mais gás natural liquefeito que possa ser enviado para a costa atlântica da Europa."

Os líderes discutirão o aprofundamento da parceria entre Canadá e França em setores estratégicos, incluindo aeroespacial, energia, minerais críticos e tecnologias avançadas, como computação quântica, satélites e supercomputação, disse o gabinete de Carney em um comunicado.

A reunião de domingo também ocorre após o anúncio de Trump sobre um acordo a respeito da Groenlândia que expandirá a presença militar dos EUA no local, mantendo a ilha sob controle dinamarquês.

O acordo seguiu-se a meses de ameaças de Trump de tomar o território semiautônomo de um aliado da OTAN.

Macron saudou o acordo no sábado. "A soberania dinamarquesa está sendo respeitada, o direito internacional está sendo respeitado", afirmou. "Tudo o que ajuda a aliviar as tensões é uma coisa boa."