O ministro das Relações Exteriores da Turquia, Hakan Fidan, afirmou que a Arábia Saudita pode ter necessidades militares não atendidas decorrentes dos ataques dos rebeldes houthis do Iêmen e que a Turquia considerará como apoiar o reino como parte de um pacto trilateral de defesa.

Em declarações à emissora turca NTV na sexta-feira, Fidan disse que era inaceitável que a Arábia Saudita fosse arrastada para a guerra entre os Estados Unidos e o Irã, acrescentando que Riade não tinha o desejo de entrar no conflito.

Ele acrescentou que propostas foram encaminhadas a todas as partes em um esforço para encerrar os combates, sem dar mais detalhes.

Os rebeldes houthis, apoiados pelo Irã, e a Arábia Saudita continuam trocando ataques em uma guerra em escalada no Iêmen, à medida que os houthis avançam e conquistam grandes extensões da costa do Mar Vermelho, incluindo o estratégico Estreito de Bab al-Mandeb, colocando-as sob seu controle.

O Paquistão fez uma promessa semelhante de defender a Arábia Saudita sob o pacto de defesa. O tenente-general Ahmed Sharif Chaudhry, porta-voz dos militares paquistaneses, disse ao Arab News na quinta-feira que Islamabad defenderia a Arábia Saudita "a qualquer custo", inclusive "fisicamente", embora não tenha especificado se Riade havia solicitado mais tropas paquistanesas.

O Ministério das Relações Exteriores do Paquistão declarou que nenhuma resposta militar está sendo discutida no momento sob o pacto, acrescentando que Islamabad agirá "quando chegar o momento".

O acordo trilateral, conhecido como Acordo de Defesa Conjunta de Meca, foi assinado em 7 de agosto em Meca pelo príncipe herdeiro saudita Mohammed bin Salman, pelo presidente turco Recep Tayyip Erdogan e pelo primeiro-ministro paquistanês Shehbaz Sharif.

Os três países nomearam formalmente o acordo como Aliança de Defesa de Meca em 31 de agosto, após reuniões de autoridades em Istambul concordarem em estabelecer um secretariado em Riade, que será chefiado inicialmente por um secretário-geral paquistanês.

Seu princípio fundamental é que um ataque armado contra qualquer um dos três estados será tratado como um ataque contra todos os três.

Fidan afirmou na época que a aliança foi construída com base no "respeito à soberania de outros estados, integridade territorial e na não intervenção em assuntos internos", permanecendo aberta à adesão de outros países.

Analistas questionam quanta substância existe por trás do pacto até o momento, observando que ele carece da estrutura de comando integrada e das forças permanentes que sustentam a OTAN. Sua forma institucional, incluindo como a cláusula de defesa mútua seria efetivamente acionada, continua incerta.