O primeiro-ministro canadense, Mark Carney, acolheu na quinta-feira a ambição da União Europeia de tornar Ottawa um membro associado do bloco de 27 nações, afirmando que uma aliança mais estreita entre ambos pode ajudar a reforçar a autonomia estratégica em diversas capacidades.

Os seus comentários surgem pouco depois de o presidente dos EUA, Donald Trump, ter descrito a perspetiva de o Canadá se tornar o primeiro membro associado da UE como "risível" e ter ameaçado o bloco com tarifas caso considerasse a medida um "ato hostil".

Falando aos jornalistas na Carolina do Norte, Trump chamou ao Canadá um "terrível parceiro comercial" e disse que os EUA poderiam até "parar de negociar com a Europa em muitas coisas" se a UE avançar com o seu plano.

"Se for uma boa intenção, tudo bem. Se for uma má intenção, colocaremos tarifas muito pesadas sobre a Europa", disse Trump.

A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, afirmou na quarta-feira que o bloco de 27 nações queria elevar a relação com o Canadá "ao nível mais alto possível".

Dirigindo-se a Carney, que esteve presente no discurso sobre o estado da união da líder da UE, Von der Leyen disse que gostaria de trabalhar com ele "na abertura de portas para que o Canadá seja o primeiro membro associado da União Europeia".

A associação não existe atualmente como uma categoria formal ao abrigo dos tratados da UE, e tal arranjo teria de ser criado e ratificado pelos Estados-membros.

A UE tem sido anteriormente relutante em considerar a perspetiva de categorias de adesão flexíveis, nomeadamente quando, no início do ano, o chanceler alemão Friedrich Merz pressionou para que a UE considerasse a associação para a Ucrânia.

No entanto, o apoio de Von der Leyen para que o Canadá receba a associação com a UE sinaliza um aprofundamento significativo dos laços entre Ottawa e Bruxelas e ocorre num momento em que o Canadá está envolvido numa amarga guerra comercial com os EUA.

A administração Trump aumentou recentemente as tarifas sobre os produtos canadianos, levando o Canadá a responder com taxas próprias.

Carney comprometeu-se a impor tarifas recíprocas sobre os produtos norte-americanos dólar por dólar.