Primeiro-ministro do Catar descreve impacto da guerra entre EUA e Israel contra o Irã como um 'terremoto'
O primeiro-ministro do Catar afirmou que a soberania deve ser respeitada para garantir a segurança no Oriente Médio e descreveu a guerra EUA-Israel contra o Irã como um terremoto econômico.
Pontos principais
- O primeiro-ministro do Catar chamou a guerra EUA-Israel contra o Irã de terremoto.
- O Catar prometeu mais de US$ 38 bilhões em gastos de infraestrutura nos próximos cinco anos.
- O porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do Catar afirmou que os esforços de mediação continuam.
O primeiro-ministro do Catar, xeque Mohammed bin Abdulrahman bin Jassim Al Thani, pediu aos Estados que respeitem a soberania como condição para a segurança no Oriente Médio, alertando contra "ciclos de escalada" após "um terremoto" causado pela guerra entre os Estados Unidos e Israel contra o Irã.
A região precisa de uma "estrutura na qual a soberania seja respeitada" e nenhum Estado possa representar uma "ameaça a outro", afirmou o xeque Mohammed no domingo na abertura do evento do Fórum Econômico do Catar, adjacente à Assembleia Geral da ONU, na cidade de Nova York.
O xeque Mohammed – que também é ministro das Relações Exteriores do Catar – descreveu a repercussão econômica da guerra entre EUA e Israel contra o Irã como "um terremoto" cujas "ondas de choque" alcançam muito além das fronteiras do Oriente Médio, "desafiando premissas sobre segurança e estabilidade".
"Durante a crise, quase todas as conversas começavam com segurança e desescalada, depois passavam para suprimentos de energia, rotas de transporte e, com nossos investimentos, os planos continuarão. Foram expressões diferentes da mesma pergunta. Quando tanto está sendo interrompido, em que ainda se pode confiar?", declarou.
Ele disse que o Catar superou o teste aos "alicerces" da economia e da segurança do país, mas reconheceu que o conflito em andamento na região está causando impacto. "A segurança permanente não pode ser construída por meio de arranjos que deixem qualquer Estado permanentemente exposto à insegurança", disse o xeque Mohammed. "Devemos abordar as fontes de tensões e construir confiança."
Reportando de Nova York, Kristen Saloomey, da Al Jazeera, afirmou que essa mensagem "sem dúvida será repetida" quando os líderes do Golfo se encontrarem com o presidente dos EUA, Donald Trump, na terça-feira, durante a Assembleia Geral da ONU.
O premiê também delineou uma mudança doméstica na estratégia de investimento do Catar, prometendo mais de US$ 38 bilhões em gastos com infraestrutura catariana nos próximos cinco anos. "Isso visa atrair investidores privados e enviar uma mensagem sobre a resiliência do Catar", disse Saloomey, enquanto o premiê reconhece que o conflito em andamento está "tendo um impacto na região".
A Assembleia Geral da ONU começa na segunda-feira e termina na sexta-feira. A situação no Oriente Médio e suas ramificações globais devem figurar no topo da agenda durante os discursos e a diplomacia.
Também no domingo, o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do Catar, Majed Al-Ansari, disse à mídia dos EUA em Nova York que os esforços de mediação de seu governo continuam em andamento para reiniciar as conversas entre Teerã e Washington para encerrar a guerra dos EUA e de Israel contra o Irã.