A última temporada da antologia 'Monster', de Ryan Murphy, estreou oficialmente na Netflix e não poderíamos estar mais empolgados para mergulhar em outra série dramática que explora crimes reais do passado. Séries anteriores focaram em Jeffrey Dahmer, nos irmãos Menendez e em Ed Gein, todos conectados a assassinatos cruéis.

Agora, a quarta temporada foca na suposta assassina Lizzie Borden (com uma aparição da serial killer mulher Aileen Wuornos). Vale lembrar que a série pode explorar crimes da vida real, mas não é uma adaptação fiel: os fatos são geralmente dramatizados para entretenimento.

Então, o que é fato e o que é ficção quando se trata de 'A História de Lizzie Borden'? Abaixo, nós detalhamos tudo.

Vamos começar com a grande questão: Lizzie Borden realmente matou seus pais? Em 1892, o rico ex-empresário Andrew Jackson Borden, de 70 anos, e sua segunda esposa, Abby, de 64 anos, foram assassinados em um duplo homicídio em sua casa na cidade industrial de Fall River, Massachusetts.

Abby foi morta com 18 golpes de machadinha nas costas, enquanto Andrew foi assassinado 90 minutos depois enquanto tirava um cochilo. Seu rosto ficou desfigurado a ponto de ficar irreconhecível.

Um dos principais suspeitos era a filha de Andrew e enteada de Abby, Lizzie Borden: uma mulher solteira, de 32 anos, que ainda morava na casa da família e ensinava na escola dominical. Todas as portas da casa estavam trancadas com chave dupla, e as únicas outras pessoas na casa, além de Andrew e Abby, eram Lizzie e a empregada Bridget Sullivan.

O crime deixou a cidade local perplexa, mas surgiram relatos do médico da família, Dr. Bowen, de que Andrew, Abby e Bridget haviam sofrido de indigestão pouco antes do assassinato, com Abby achando que havia sido envenenada.

Durante o interrogatório, Lizzie teve dificuldades para manter uma história consistente e um balconista de farmácia local afirmou tê-la visto comprando veneno um dia antes do assassinato, o que a fez parecer culpada.

Mas quando Lizzie foi a julgamento pelo assassinato, um júri de 12 pessoas deliberou por uma hora antes de absolvê-la, e o crime permanece sem solução. No entanto, vale a pena notar que muitos na época achavam difícil acreditar que uma mulher pudesse ser capaz de uma violência tão grotesca.

Durante o julgamento, a amiga íntima de Lizzie, Alice Russell, alegou que viu Lizzie queimar um vestido que outra testemunha havia afirmado que ela usava no dia do assassinato. Sob contra-interrogatório, tornou-se evidente que ela queimou o vestido à luz do dia e na frente de duas testemunhas.

Como mencionado acima, Lizzie foi absolvida de assassinar seus pais. No entanto, vale a pena especificar que parece haver alguma confusão em relação à arma do crime usada para matar os pais Borden.

Tecnicamente, eles não foram mortos por um machado; na verdade, era uma machadinha: um machado menor, mais compacto e de uma mão só.

Bridget Sullivan era a empregada que trabalhava na casa dos Borden. Na adaptação de 'Monster', ela é retratada como amante de Lizzie.

Isso segue uma tradição estabelecida pelo romance de 1984 'Lizzie', de Evan Hunter, e pelo filme de 2018 'Lizzie'. No entanto, não há evidências que sugiram que as duas mulheres estivessem tendo um caso na época do assassinato (ou em qualquer outro momento).

Lizzie também tendia a chamar Bridget pelo nome errado, referindo-se a ela como "Maggie". Isso sugere que as duas não tinham um relacionamento próximo.

Após o assassinato, Bridget retornou por umshort período para a Irlanda, de onde era originária, antes de se mudar de volta para outra cidade americana e, finalmente, se casar com um homem.

Em 'A História de Lizzie Borden', a irmã de Lizzie, Emma, é interpretada por Billie Lourd. Emma era uma pessoa real e era a irmã solteira de 42 anos de Lizzie que também morava na casa da família.

Ela supostamente estava fora de casa durante o horário do assassinato, pois havia ido visitar amigos. Emma apoiou Lizzie durante o julgamento e, ao depor, encontrou furos no caso da acusação, mas de forma reveladora não sugeriu que sua irmã fosse inocente.

A adaptação de Ryan Murphy sugere fortemente que os supostos impulsos assassinos de Lizzie decorriam de ter crescido em um lar abusivo. Não há evidências que sugiram que este tenha sido o caso, embora alguns escritores tenham especulado sobre isso.

A única evidência clara de motivo para os assassinatos seria o fato de que Lizzie e sua irmã receberiam uma herança generosa após o assassinato de seus pais. Em 1887, Andrew havia comprado uma casa para a irmã de sua esposa Abby residir, o que causou chateação a Lizzie, pois parecia fora de sintonia com sua natureza frugal, e ela alegou que ele estava favorecendo a família de sua esposa em detrimento dela.

Na adaptação 'Monster' de Ryan Murphy, paralelos são traçados entre Lizzie Borden e outras supostas assassinas, como Aileen Wuornos e a Condesa Elizabeth Bathory. No entanto, não há ligação direta entre essas mulheres, além da possibilidade de instintos violentos e assassinos.