Quando a Bondade Encontra o Ódio: O Que os Pais Podem Ensinar às Crianças
Um post da Sesame Street celebrando o Mês da Herança Judaico-Americana foi alvo de antissemitismo, destacando a necessidade de ensinar inteligência emocional às crianças para combater o ódio.
Pontos principais
- A Sesame Street publicou uma mensagem para o Mês da Herança Judaico-Americana que atraiu comentários antissemitas.
- A seção de comentários da postagem teve que ser desativada devido ao ódio.
- Os autores enfatizam que a inteligência emocional ensina que os sentimentos são informações, mas não instruções.
- A empatia ajuda as crianças a reconhecer a humanidade dos outros e a resistir a espalhar o ódio.
Escrito em coautoria com Bridget Harris. Há alguns meses, a Sesame Street publicou uma mensagem simples para o Mês da Herança Judaico-Americana. O espírito da postagem era inconfundível: celebração, inclusão e pertencimento.
No entanto, a seção de comentários rapidamente se encheu de antissemitismo vil antes de ser desativada. Uma postagem da Sesame Street — criada para ajudar as crianças a crescerem "mais espertas, fortes e gentis" — tornou-se alvo de desprezo. A bondade foi recebida com ódio.
Para pais, educadores e todos nós que nos importamos com os jovens, esta não é simplesmente uma história de mídia social. É uma história de desenvolvimento.
As crianças estão observando como os adultos respondem quando o medo aumenta, a raiva endurece, as pessoas discordam, grupos são culpados e a crueldade é desculpada como humor, política ou "simplesmente o modo como as pessoas falam online". As Altas Festas Judaicas são um momento de reunião e reflexão. Elas também são um momento oportuno para ponderar o que alimenta "ismos" como o antissemitismo — e, de forma crítica, o que podemos ensinar às crianças e aos adolescentes para que eles não herdem a espiral perigosa do "Você me odeia, eu te odeio; você me machuca, eu te machuco de volta".
Sentimentos São Informações, Não Instruções. O antissemitismo, assim como outras formas de ódio grupal, frequentemente começa com uma história — uma história construída a partir de medo, raiva, ressentimento, humilhação, confusão ou dor. Esses sentimentos podem ser reais.
Mas eles se tornam perigosos quando são transformados em falsas conclusões: eu me sinto com medo, então você deve ser uma ameaça. Eu me sinto impotente, então seu grupo deve ser o culpado.
Eu me sinto com raiva, então a crueldade é justificada. É por isso que uma das primeiras lições que podemos ensinar às crianças é também uma das lições mais importantes da inteligência emocional: os sentimentos são informações, mas não são instruções.
O medo merece atenção, mas não prova que outro grupo seja perigoso. A raiva pode nos alertar sobre injustiças, mas não nos dá permissão para desumanizar.
A dor pode explicar por que alguém quer atacar, mas não desculpa transformar um grupo inteiro em alvo. O ódio pode ser sedutor para os jovens porque oferece um falso tipo de força: certeza em vez de confusão, pertencimento em vez de solidão, superioridade sobre a vergonha.
Dizer às crianças simplesmente "não odeiem" não é suficiente. Precisamos ajudá-las a lidar com as emoções que tornam o ódio tão contagioso: medo, raiva, vergonha, pertencimento e o desejo de ser aceito pelo grupo.
Podemos ajudá-las a perguntar: o que estou sentindo? Que história estou contando a mim mesmo? O que sei e o quem estou assumindo? Quem pode ser prejudicado se eu compartilhar isso?
O que meu eu superior faria a seguir? A Discordância Não Deve Se Tornar Desumanização. O antissemitismo, assim como muitas formas de preconceito e marginalização, prospera quando um grupo de pessoas deixa de ser visto como vizinhos, colegas de classe, professores, médicos, artistas, crianças, avós e amigos, e passa a ser visto como uma categoria, um símbolo, uma suspeita, uma conspiração ou uma ameaça.
Ele prospera quando a curiosidade desaba e quando velhos estereótipos viajam na velocidade de um fio de comentários. Os pais podem ajudar seus filhos a fazer uma distinção essencial: a discordância não é ódio.
Mas uma estrutura de permissão é criada quando as pessoas zombam dos outros e são recompensadas por isso, quando a crueldade é descartada como "apenas uma piada" ou quando o ódio grupal é desculpado porque "todos estão com raiva". Os jovens percebem tudo isso.
Quando essa crueldade é praticada por líderes públicos, influenciadores online, celebridades ou adultos em nossas próprias mesas de jantar, os pais precisam ser ainda mais intencionais sobre o que modelam em casa.
Os pais podem dizer, de forma clara e calma: "Em nossa família, a raiva é permitida; a desumanização, não". "Essa pessoa pode ser poderosa, mas isso não torna o comportamento correto".
"Podemos discordar fortemente sem humilhar". Essas frases importam porque constroem uma estrutura de contrapermissão.
É assim que as famílias se tornam pequenas escolas de resistência moral: ajudando as crianças a ver a cultura claramente e a praticar uma maneira diferente de estar dentro dela. A Empatia Nos Impede de Espelhar Danos.
A empatia é central aqui, mas a empatia é frequentemente mal compreendida. A empatia não significa concordar com todos, desculpar o mal ou evitar a responsabilidade.
A empatia significa lembrar que outra pessoa tem uma vida interior tão vívida e vulnerável quanto a nossa. A empatia se desenvolve por meio de habilidades de inteligência emocional que ajudam as crianças a fazer uma pausa, identificar o que estão sentindo e perguntar o que outra pessoa pode estar sentindo, precisando ou carregando.
Isso as ajuda a resistir a absorver um estereótipo ou repetir uma piada cruel e, em vez disso, a reconhecer a humanidade de um colega de classe judeu ou muçulmano, vizinho cristão ou hindu, professor negro ou indiano, ou amigo com deficiência.
As crianças precisam aprender que, quando alguém as odeia, a resposta não é tornar-se odioso em troca. A resposta é proteger a si mesmo, buscar ajuda, estabelecer limites, dizer a verdade e recusar-se a se tornar um espelho do dano.
Precisamos Liderar Com o Nosso "Eu Superior". Finalmente, podemos ajudar os jovens a imaginar e praticar seu Eu Superior. Nosso Eu Superior é quem queremos ser, e quem queremos que os outros vejam, quando mais importa: corajosos, justos, curiosos, compassivos e fortes o suficiente para não participar da crueldade.
É o eu que faz uma pausa antes de postar, pergunta antes de assumir, busca a dignidade em vez do desprezo e entende que o pertencimento não é um recurso escasso. A Sesame Street teve que desativar os comentários porque a bondade em relação aos judeu-americanos atraiu ódio.
Esse momento de aprendizado doloroso nos mostra o que acontece quando a empatia não é cultivada. Nossas crianças estão assistindo.
Elas estão aprendendo com o que condenamos, o que desculpamos, do que rimos, o que interrompemos e o que reparamos. A tarefa diante dos pais não é criar crianças que nunca sintam raiva, medo ou dor.
A tarefa é criar crianças que saibam o que fazer com esses sentimentos — crianças que possam dizer a verdade sem ódio, defender-se sem desumanizar e recusar-se a manter a velha espiral girando. É assim que começamos a construir uma herança diferente.