'Ato hostil': Trump ameaça UE com tarifas devido à proposta de associação associada do Canadá
O presidente Donald Trump ameaçou impor tarifas à União Europeia ou interromper o comércio caso o bloco siga com planos de dar ao Canadá o status de membro associado.
Pontos principais
- Donald Trump ameaçou a UE com tarifas ou interrupção do comércio caso avance com a proposta de associar o Canadá.
- Ursula von der Leyen anunciou que a UE quer tornar o Canadá o primeiro membro associado do bloco.
- Trump impôs uma tarifa de 50% sobre produtos canadenses e planeja banir importações de laticínios, álcool e automóveis.
- O Canadá busca se afastar dos EUA após o colapso nas negociações comerciais.
O presidente Donald Trump ameaçou na quarta-feira impor tarifas sobre a União Europeia ou interromper totalmente o comércio com o bloco caso este prossiga com seu plano de tornar o Canadá seu primeiro "membro associado".
"Acho ridículo... O Canadá tem sido um parceiro comercial terrível", disse Trump a repórteres após desembarcar na Carolina do Norte.
Ele condicionou sua ameaça à intenção dos líderes europeus, afirmando que "se eu achar que é de alguma forma um ato hostil, colocarei tarifas muito sérias ou pararei de negociar com a Europa em muitas coisas".
As declarações de Trump ocorreram após a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, afirmar que a UE estava abrindo as portas para o Canadá se tornar o primeiro membro associado do bloco de 27 nações.
A associação de membros não existe atualmente como uma categoria formal sob os tratados da UE, e qualquer acordo desse tipo precisaria ser criado e ratificado pelos Estados-membros.
A proposta surgiu no momento em que Bruxelas e Ottawa buscam aprofundar os laços, sinalizando uma mudança significativa na UE, que vinha demonstrando apatia em relação à proposta da Alemanha em maio de conceder a associação de membros à Ucrânia.
Em seu discurso anual sobre o estado da UE em Estrasburgo, na França, a chefe da UE afirmou que o bloco deseja elevar a relação com o Canadá "ao nível mais alto possível".
O primeiro-ministro canadense, Mark Carney, que compareceu ao discurso, disse no passado que Ottawa desejava buscar uma "aliança única de segurança e econômica" com a Europa, mas não uma filiação completa.
O Canadá tem buscado se distanciar dos EUA após meses de escalada nas tensões comerciais e com o colapso das negociações comerciais bilaterais.
Trump aplicou uma tarifa de 50% sobre os produtos canadenses e planeja banir as importações de laticínios, álcool e automóveis do país ainda este mês, atraindo retaliações de Ottawa.
"Washington e Ottawa podem encontrar uma saída para a atual guerra comercial, mas o Canadá continuará a reduzir sua vulnerabilidade à pressão econômica dos EUA", disse James Lindsay, membro sênior do Conselho de Relações Exteriores.
A proposta de Von der Leyen para o Canadá inclui trabalho conjunto em manufatura, integração de bases de defesa-indústria, uma aliança tecnológica, energia, inteligência artificial e cooperação no Ártico.
O Canadá já é o único país não europeu no instrumento SAFE da UE — uma iniciativa que fornece às empresas canadenses acesso preferencial a compras de defesa — e tem um acordo de livre comércio com o bloco, eliminando tarifas sobre cerca de 99% das mercadorias, embora esse acordo ainda exija a ratificação de 10 estados da UE.
Quaisquer novas tarifas dos EUA sobre a UE testariam a estrutura comercial que Washington e Bruxelas estabeleceram no ano passado, que definiu um teto de tarifa de 15% sobre a maioria das exportações da UE para os EUA.
Bruxelas não informou se prosseguirá com a proposta de membro associado diante da ameaça de Trump.
Os Estados-membros da UE — vários dos quais teriam sido pegos de surpresa pelo anúncio — ainda não responderam à ameaça de Trump.